Atendendo a este pedido, da minha janela, faço um breve relato sobre esta história.
Problema antigoA polêmica envolvendo o lixo da cidade é antiga. Os problemas são variáveis e vão desde locais impróprios para o depósito – Sarandi tem vários deles utilizados de forma irregulares inclusive pela própria prefeitura – até a privatização do aterro, caso que acompanhamos atualmente.
Sem solução
O lixo foi um dos problemas herdados por Cido Spada e que estoura agora na gestão Martini. Nesta área o mandato do petista foi marcado por soluções paliativas e a situação nunca foi definitivamente resolvida.
Coleta seletiva fracassa
O processo de implantação de coleta seletiva foi marcada por várias tentativas e desgastes. No âmbito interno da administração, talvez o grande erro foi a exoneração de uma diretora da secretaria de Ação Social. Catarina era a assistente social responsável pela organização do processo de formação dos trabalhadores e da coleta seletiva, mas por divergências com o então secretário Adalberto Correia, ela foi exonerada. Deste momento em diante todas as iniciativas fracassaram.
Justiça pressiona
A promotoria pública da comarca passa a exigir medidas imediatas da prefeitura para eliminar o “lixão” da cidade. O prefeito Cido Spada começa a considerar uma solução drástica.
Pajoan se oferece
A justiça dá prazo para o fim do problema. Spada receberia multas diárias no valor de R$ 500,00 caso não apresentasse uma alternativa. A empreiteira Pajoan se “oferece” para administrar um aterro controlado na cidade e “salvar o pescoço” do prefeito.
A polêmica
Capitaneada por Rose Zanardo, então secretária de meio ambiente, a prefeitura inicia os entendimentos para a execução do plano de criar um aterro controlado e privado na cidade. A proposta não recebeu apoio integral nem dentro do governo, nem no PT.
PT se manifesta contra
Diante da eminente aprovação dos planos do prefeito, o diretório do PT se posicionou contra o projeto de privatização do aterro. Encaminhou uma carta a Spada pedindo para que ele desistisse da ideia. Manifestou esta posição à câmara de vereadores e apresentou uma denúncia ao ministério público de Sarandi contra a Pajoan, que tem uma série de problemas com empreendimentos em outras cidades.
Ministério público e vereadores aprovam a privatização
Ignorando todos aqueles que se manifestaram contra o projeto, Spada consegue o apoio da maioria dos vereadores e a justiça aceita a solução apresentada por ele. A partir deste momento a Pajoan passa a operar em Sarandi.
Projeto engavetado
O então vereador Cleiton tentou em vão aprovar uma emenda na lei que proibia o deposito de lixo de outras cidades no aterro operado pela Pajoan. Estranhamente o projeto sequer foi votado. O então presidente da casa, Rafael do povão, não justificou porque a proposta não foi a plenário.
Outras intenções
Mesmo com autorização para operar em apenas 2 alqueires, a Pajoan comprou 12 alqueires de terra em volta ao aterro. É uma clara tentativa de aumentar a área destianda para este fim. A atitude revoltou agricultores que são pioneiros da cidade.
Sobrou para Sarandi
Com a crise do lixo em Maringá, a Pajoan negocia a vinda do lixo maringaense para o aterro situado em Sarandi. A comunidade também se revolta contra a atitude e o movimento contra esta negociação ganha o apoio da classe política e ganha os “contornos” que estamos vivendo hoje.
Vale lembrar que este é apenas um breve relato desta complexa e nebulosa história.