Ato 1
A cassação do ex-prefeito Milton Martini turbinou a importância do presidente da câmara. Primeiro por que Carl0s de Paula(PDT) passa longe de ser santo e tem lá seus problemas com a justiça, ou seja, o presidente pode ganhar a prefeitura de presente em algum momento. Segundo é que o próximo “dono” da cadeira terá uma importância considerável no pleito de 2012 e isso deixou parte dos legisladores empolvorosos.
Uma pra Deus, outra pro…
Diante desta possibilidade, o chefe de gabinete e vereador licenciado Luiz Aguiar(PPS), viu na eleição da mensa diretora da casa de leis a oportunidade que ele precisava para emplacar seu nome para a disputa dos cargos executivos municipal. A idéia seria a vaga de vice na chapa do atual prefeito que tentará a reeleição, mas… se a coisa não estiver favorável a Carlos de Paula em 2012, Aguiar poderia até ser “o” cabeça de chapa, “por que não?” proclamam os entusiastas do edil. Isso que é “bater com os dois pés”, ou ainda, ascender uma vela pra Deus e outra pro diabo.
Fim do “acordo”
Baseado num suposto acordo de cavalheiros, Aguiar reassume o mandato de vereador em novembro com a esperança de que Cilas Moraes(DEM), atual presidente da casa, lhe apoiasse na disputa para o próximo biênio. Seria a “retribuição” do apoio que Aguiar ofertou ao atual presidente em janeiro de 2009. Doce ilusão. Moraes declarou que o acordo foi desfeito quando Aguiar aceitou se licenciar do mandato. Começou então uma voraz e truncada disputa nos bastidores.
Manobra
Na tentativa de minar o adversário, Moraes antecipa as eleições para novembro – o prazo previsto era para o início de 2011 – e costura acordos para tentar se manter no cargo. A seu favor, o presidente conta com o peso do cargo que ocupa e a idade. Por ser mais velho que Aguiar, Moraes venceria a eleição nos critérios de desempate sem a necessidade de ter maioria absoluta.
Primeira sessão
O presidente marca a eleição para o dia 17/11 e, com cinco votos na manga, Moraes é surpreendido com uma manobra. Ao invés de Aguiar, o vereador Rafael “do povão”(PP) encabeça a chapa governista, isso muda o panorama já que agora, a vantagem da idade passava a ser do pepista. A partir desta alteração os vereadores do PT passam a ser protagonista da sessão.
Os votos do PT
A votação estava 4 a 3 a favor de Rafael, e restavam apenas dois votantes, o presidente – que vota por último – e o vereador Reginaldo(PT). O voto do petista era a margem de segurança do presidente, mas de última hora, o vereador Bianco(PT) se lançou candidato e mudou o roteiro da sessão. Diante da candidatura do companheiro, Reginaldo muda o voto e os governistas passam a ter vantagem.
Confusão
Diante da derrota eminente, o vereador Nildão(PPS) desencadeia uma discussão que leva à suspensão da sessão. Satisfeitos com o desenrolar dos acontecimentos, Rafael canta vitória.
Mudança de estratégia
A nova conjuntura anima os governistas. Aguiar rearticula o grupo, enfraquece Moraes e aglutina seis votos, o suficiente para lhe garantir a presidência da casa.
REinício
Certos da vitória, Aguiar e seus aliadas foram para a sessão de hoje(22) certos de que haveria uma nova eleição. Ao abrir os trabalhos, Moraes não abre uma nova sessão, mas sim reinicia a anterior. O detalhe que passaria “batido” pelos governistas faria toda a diferença no resultado final. Com esta manobra, os vereadores passariam a votar em segundo turno, dado o empate de Rafael e Moraes em 4 votos. Deste modo, quem não votasse em Moraes ou em Rafael estariam anulando o voto. Não deu outra.
A pataquada
Ao final da apuração apenas dois votos foram validados, ambos dados a Moraes. Com anuência do procurador jurídico da casa, o atual presidente proclamou a própria reeleição e anulou os demais votos dados a Bianco e a Aguiar, este último, recebeu 6.
Pasmos
Como pode ser visto no vídeo da postagem anterior, pasmos e perdidos, os “perdedores” não entendiam o que estava acontecendo e solicitaram explicações ao presidente que, didaticamente, explicou cagada besteira que haviam acabado de fazer.
Contestações
Apesar da manobra perfeita do presidente, os governistas prometeram ir à justiça para contestar a decisão. De fato, o tumulto da sessão do dia 17 pode abrir algumas brechas, porém, até que se prove o contrário, Moraes deu um golpe de mestre e colocou muita gente no bolso.