O episódio da suspensão de parte dos recursos do bolsa família ainda causa confusão na cidade, mas a situação é relativamente simples.
O Governo Federal envia recursos do programa para o município por meio de duas frentes. A primeira é o repasse feito direto às famílias. Em Sarandi, este valor é de aproximadamente R$ 200 mil por mês. Este recurso não foi afetado, ao menos não por enquanto.
A segunda frente de repasse é o dinheiro que o governo manda para a prefeitura com o objetivo de ajudar nas despesas operacionais do programa. Com este dinheiro, a secretaria de Assistência Social paga boa parte das despesas do Cadastro Único, que é o setor que operacionaliza o programa na cidade. É este recurso que está temporariamente suspenso. Deste modo, as famílias não serão afetadas neste primeiro momento, entretanto, é bom deixar claro que isso pode mudar se a situação não for regularizada no prazo determinado.
Mas o que de fato aconteceu para que o recurso fosse suspenso? Algumas pistas podem nos ajudar a descobrir.
O gerente – digamos assim – do programa no município é a secretaria de Assistência Social, porém, ela tem pelo menos duas parceiras fundamentais para que tudo funcione. A primeira é a secretaria de Educação, que é responsável pelo controle da frequência escolar das crianças que participam do programa. A segunda é a secretaria de Saúde, que deve coletar dados sobre a saúde dos atendidos periodicamente.
Certamente uma das três secretarias é responsável direta por este problema, pois em algum momento uma delas não fez o “dever de casa”. Além disso, vale lembrar que no fim do governo Spada, a secretaria de Assistência Social sofreu alterações, pois a secretária foi substituída e toda mudança gera alguns “contratempos”, digamos assim.
Seja por incompetência, seja por negligência, esta é uma situação lamentável, pois nenhum agente público tem o direito de errar desta maneira. O que se espera de nossos governantes – em todos os nívieis – é que tenham pelo menos a dignidade de manter aquilo que já foi conquistado e não ao contrário. Isso deve estar acima das questões políticas e eleitorais, mas infelizmente isso parece não ter acontecido neste caso.