- Written by
Rogério Rodrigues
- Posted at 15:10
A possibilidade de uma mudança do modelo de sociedade, neste processo de conciliação de classes cada vez mais presente não é uma tarefa fácil, e precisa ter muitos camaradas para esta caminhada. A democracia, mesmo com inúmeras falhas, é uma importante conquista dos brasileiros. É bom salientar que vivemos, num passado recente, um dos piores momentos de nossa história, com um golpe de Estado e a implantação de uma ditadura fascista, financiada pelos americanos. Esta ação das elites se deu para evitar que o país tivesse a oportunidade de inverter a lógica de Estado, que poderia servir ao cidadão e não somente ao patrão.
Muitos viveram intensamente o processo de redemocratização, tendo neste novo momento a oportunidade de voltar a sonhar com um país mais justo e solidário, no qual os trabalhadores pudessem se organizar e disputar seus projetos contra a velha elite mesquinha e preconceituosa que continua por aí. No entanto esta democracia veio com um tom de conciliação, ou seja, não existe luta de classes e as disputas devem se dar em um clima tranqüilo e, se possível, unindo as classes antagônicas da sociedade. Este é um problema que a esquerda nacional conhece e, não raro, se utilizado dessa fórmula para conquistar seus objetivos. É direito das correntes de pensamento ou ação política se pautar mais ou menos pelos seus programas, porém este processo desconstrói a consciência de classe deixando àquele “sonho popular” mais distante.
O sistema de disputa que a sociedade brasileira aprendeu neste breve momento de democracia, tem sido o momento eleitoral. As lutas sociais infelizmente não conseguem ultrapassar as cercas da mídia, que insiste em manipular as informações sobre as organizações sociais. Há outros fatores como a mobilização social, que passa por um momento difícil, porque diversos setores aderiram à mesma fórmula da conciliação de classes.
Neste contexto é possível transformar o sonho em realidade? Acho que é possível. Para isso os atores sociais deveriam ter coragem de correr alguns riscos. Todos sabemos que para conquistar a democracia em nosso país, muitos foram bem além de correr riscos. Para conquistar moradia ou terra para trabalhar foram bem além de correr riscos, para conquistar direitos os trabalhadores foram bem além de correr riscos. Correr risco neste momento não é ir para a luta armada ou coisa do gênero, já que temos uma certa “democracia”. Correr riscos seria apenas a opção de assumir a condição de classe e identificar nossos inimigos, pois assim fica mais difícil justificar as conciliações propostas quase hegemonicamente pelas elites, pelos meios de comunicação e por muitos dirigentes de movimentos sociais, sindicais e partidários. É preciso dizer que existe uma luta de classes permanente e que muitos estão dispostos a assumir a luta “pelos de baixo”, mesmo que estes ainda não entendam estes movimentos e por vezes se voltem contra nossas ações. Mas é fundamental iniciar um processo agressivo de conscientização do que é a luta de classes e quem defende o que neste modelo perverso chamado capitalismo.
Entendo que isto é apenas mais um passo na caminhada de centenas de anos de luta por um outro modelo de sociedade.
Estas linhas não tem a pretensão de dizer o que as pessoas devem ou não fazer, é apenas uma reflexão que compartilho sobre questões que acho relevantes sobre os caminhos e descaminhos por um novo modelo de sociedade.
Augusto Franco – Militante do PT de Curitiba
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